quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estrela


Quando os pensamentos se acabam, você acha que a vida não terá mais o mesmo prazer que tinha antes.


Às vezes nem tudo parece ser o que é, ou nada acontece como planejado. Nem tudo é a maravilha que você sempre sonhava, ou que tudo irá acabar do jeito que você mais deseja. Apesar do esforço, algumas coisas trilham caminho diferente e o resultado é o oposto do que você esperava.


Quando você acha que a sorte não existe, é aí que você confirma sua tese. Ela, realmente, não existe mesmo. Na verdade, ela é somente aquele resultado querido que você conquista com seu esforço e merecimento, embora - reforçando - nem tudo se acabe como esperado, mesmo com a maior dedicação possível.


É que inimagináveis elementos, talvez um tanto extraterrestres, ou mesmo de um espaço cósmico além da vida e da imensidão do paraíso celeste, interferem sobremaneira em pequenos detalhes, os quais poderão trazer estragos enormes na sua vida, caso você não tenha controle sobre si mesmo.


Tais elementos, de fato, não podem ser controlados. Simplesmente acontecem. Ou muda sua vida radicalmente, para pior ou melhor, mesmo que em um curto espaço de tempo, ou interferem apenas minimamente, porém você, mesmo assim, irá lembrar disso para toda sua vida.


É disso que se cuidam os pseudo-idealistas. E uma coisa há de ser dita: quem nasce para ser estrela, nunca deve deixar a luz se apagar.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Mad

Foi numa manhã de domingo, quase chegando a hora do almoço, que havia acordado e ligado a televisão, passando naquela caixa de cores e som um filme que sempre quis seguir seu personagem principal.

Imaginava vezes em que, com sua vida realizada - trabalho, família, casa e carro: sonho de consumo latino-americano -, um assassino ou outra espécie de bandido - enquadrando aí qualquer forma de político e gente rica - mataria friamente todas as pessoas que mais amava naquela vida futura: mulher e filhos.

Partiria daí em diante a viver "nas escuras": carro possante, cachorro esperto do lado, vida solitária, andando de um lado para o outro com o carro, esperando o tempo passar, morrendo lentamente, com uma arma escondida na cintura, camisa, calça e bota da cor preta, sem preocupação mais com coisa alguma. Crises, jogos de futebol, responsabilidade, solidariedade, esperança... nada disso mais lhe importava. Não tinha mais sentimentos humanos. Era uma alma vazia.

Mas voltava de novo a trocar de canal. Então pensou naquele sonho que acabava de ter. Era a resposta sincera de uma pessoa, que nunca pensava em conhecer e ao mesmo tempo transformar sua vida como transformou. Muitas coisas que gostava de fazer - e também do que não gostava - passou a deixar de fazer - ou fazê-las. E para seu bem. Não que aquilo fosse sim o que mudaria sua vida, mas é que sabia que, de alguma forma, ela tocara seu coração, e isso sempre falava mais alto, para seu próprio bem.

Era uma resposta simples, que veio por intermédio dos seus temíveis sonhos. Já havia ouvido essa resposta vez passada: "que o melhor era as coisas ficarem assim do jeito que estão"... Mas no seu sonho tudo mudava, tudo se transformava. Era algo extraordinário que acontecia, que nem ele sabia explicar - na verdade, nem os seres humanos conhecedores das ciências mentais sabem explicar.

Era tão simples que naquele domingo todo ele já se contentava em não mais pensar nela, o que já era algo realmente difícil. Mas deixa assim (frase do telefone).

E só de pensar que nessa vida louca da cidade qualquer pessoa, a mais boa que seja, pode morrer por coisas mais estúpidas imagináveis, como uma discussão à toa no trânsito. Daí ele voltaria a ser o louco do carro possante, caso os dois ficassem juntos no futuro e ela morresse assim do nada. Do nada...

sábado, 16 de agosto de 2008

Um dia 13 de julho qualquer...


Era 13 de julho de 2006. Aniversário do Vovô Léo. Logo ele, Vô Léo. Nem o conhecia direito, porém o achava o máximo, era um ídolo, mas discreto. Admirava-o em tudo: penteado de cabelo, cadeira já pré-escolhida da mesa de refeição, a Brasília, tudo. Diziam que quando eu era novo parecia com ele. Eu queria mesmo parecer com ele. Só que raramente foram as vezes em que nós conversamos, que estivemos juntos. Não havia muito contato realmente, porque também acho que eu era muito novo, ou não dava tanto o valor para uma mera conversa com o vovô.

Por que teve que ser justo no ano em que o senhor veio pra cá pra minha casa, em Vitória, quando passaríamos a ter sim um contato mais próximo, um rindo do outro, com aquele barulhinho que fazíamos com as mãos tentando imitar um passarinho, que o senhor teve que se despedir da gente?

Mas e agora, por que eu tenho que parar de pensar no senhor? As pessoas podem morrer, mas jamais serão esquecidas. Isso eu tenho certeza. Porque, enfim, era dia 13 de julho de 2006. Havia acabado de sair do cemitério, que tinha ido lá, logicamente, pra rezar pro senhor, mais uma vez. Sei que em fevereiro já tinho ido também lá, por um motivo muito especial - infelizmente não aconteceu as coisas como desejado, mas sempre vou aprendendo com isso. Era dia 13 de julho, voltava do cemitério, tinha ido depois pra lan house do meu padrinho. Sabia que o resultado da prova da transferência pra Ufes iria sair só no dia 28 de julho, porque assim estava escrito no edital. Estava totalmente tranqüilo porque já tinha planejado várias coisas pra fazer na Fdv no semestre seguinte. Nem me preocupava tanto, apesar de ser meu sonho desde criancinha, criança mesmo, quando tinha uns 8 anos, voltando da escolinha da Ufes e vendo aqueles estudantes, todos felizes, os vestibulares, os trotes, enfim.

Não esperava que aconteceria logo naquele dia, naquele dia em que havia acabado de rezar por você, em que tinha pedido essa transferência, que tinha pegado um pedacinho do terço que eu havia colocado lá perto do senhor no cemitério, no dia 2 de fevereiro, quando pedi para que uma outra pessoa passasse no vestibular.

Seria nesse dia sim. Especial! Poxa, tantas vezes rezaram por mim naquele ano, preparando-me para o tão esperado vestibular. Que decepção que dei para essas pessoas! Pedi desculpas inúmeras vezes, embora mentalmente.

Lógico, não sou nenhum ser fantástico, extraordinário. Mas uma pessoa eu posso falar com toda certeza que é assim: meu vô Léo. Parabéns para o senhor Vô, por ter me dado essa graça, que iria comemorar mesmo só agora neste sábado (16/09/06).

Parabéns pro senhor, e não pra mim, porque sou ainda um mero expectador de todo o meu idealismo, de sonhos e esperanças não concretizados. Mas com o senhor do meu lado tudo se transforma: os sonhos viram realidade, e a esperança de continuar seguindo em frente se torna meu principal combustível.

Um abraço para o senhor, onde quer que esteja! E pode deixar que na minha colação de grau olharei para o céu, e enxergarei no brilho mais forte das estrelas o seu rosto. Deste dia lembrarei pra sempre e do senhor nunca me esquecerei.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A "Teoria do Coadjuvante"


Um dia meu pai me disse: "Nessa vida você tem que ter tudo 'mais-ou-menos'. Carro mais-ou-menos, mulher, casa". Logicamente, ele não estava querendo dizer pra eu ter uma vida, digamos, vagabunda, que a gente não mereça realmente. Não é isso. Você sim tem que ter tudo que gosta, tudo que mereça ter, mas nunca, jamais, tem que se expor tanto, aparecer para todo mundo, tirar "onda" com seu carro, fazer inveja nas pessoas com a mulher que tem, e tal.

É essa a base da teoria. Você, sempre, deve ser o coadjuvante. Não precisa ser melhor que ninguém, nem pior. Só tem que ter cuidado para não chamar a atenção das pessoas. Ficar na sua. Ir a uma festa e não fazer bagunça, mas se divertir bastante. Ajudar quem precisa de ajuda, mas sem pedir nada em troca, e se possível não se identificar. Sair sempre quando tiver que sair de algum lugar. Não reclamar de nada quando não precisar, mas sempre lutar por aquilo que é o certo. Ter um carro que você mais gosta, mas não o "idolatrar" como fazem vários caras estúpidos que tentam firmar sua virilidade mostrando a máquina de correr. Ter a mulher que sempre quis, não porque ela é linda estilo "top model", mas porque você a ama. Enfim, ser uma pessoa totalmente discreta, mas nunca sem participação naquilo que você tem – e deve – participar, que seja sua função como ser humano.

É dar valor às coisas boas. Valorizar certos conceitos, sentimentos. É ser uma pessoa assim. Então, a Teoria do Coadjuvante diz que sua vida é você quem constrói, porém a construção é feita paulatinamente e com muito esforço. Tudo deve ser feito pensando nas conseqüências, para que você não seja o centro das atenções por aquilo que você fez. Nem quando é coisa boa. A discrição é a melhor coisa, lembre-se disso.

Agora, você é o coadjuvante. Deixe que os atores principais faça o filme. Se fosse um filme, você morreria primeiro, mas depois seria lembrado por todos.


segunda-feira, 30 de junho de 2008

A árvore do morro que não me veio o nome


Era uma árvore lá do alto do morro, cujo nome não me veio à memória logo na primeira vez que a vi. Era algo contrastante com o centro de Vitória e aquilo que um dia chamavam de natureza.

Ficava lá em cima daquele morro que ainda não me veio o nome à cabeça. Dali podia se ver perfeitamente os navios que ancoravam na baía de Vitória, porém na verdade quase todos estavam do outro lado, no “outro continente”.

Dali se avistava também o morro, um contraste com o centro. Por aqui, tudo girava em torno de dinheiro e poder, processos e despachos, ações e debêntures, camisas e paletós, ternos e gravatas, saias pequenas e vestidos longos. Por lá, pedras avulsas e papéis com pozinho branco, meninos correndo para soltar pipa e cana entrando – ou na goela do aposentado esquecido da vida, ou dentro do morro aos tiros e prantos.

Mas era uma árvore, que deveria representar aquilo que um dia se chamava natureza. E, logo ali, ela reinava sozinha, sem mais nenhuma outra por perto, do alto daquele morro que não me veio o nome. Devia ela se sentir poderosa, indestrutível, incontrastável, invencível.

Ora, então não seria um contra-senso pensar em algo tão importante assim sem ao menos me recordar do nome daquele tão belo morro, que de Vitória já se avistava sua magnitude no “outro continente”? Pelo menos aquela linda e solitária árvore não sofre desses problemas humanos, e assim ela continua seu reinado.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Lembranças de uma tarde de janeiro


Com poucas palavras começaremos a nos embriagar. Que fosse somente uma dose, ou duas, de poucas palavras, nem tão poucas assim, mas suficientes para não viajar mais na segunda classe, ou não. Que fosse um reviver econômico de palavras e doses etílicas, mas que não deixasse nunca, jamais, o rugido da raiva se despertar como uma sombra profunda nas entranhas do fim daquele mês.

Deixa-se mais um tempo, mas não a deixaste jamais. Viraria para um lado com o intuito de expelir aquele horrendo vômito, sugado pela terra fofa. Aquele sentimento de férias e alegria, liberdade incontrolada que pairava no rosto de cada um que presenciasse a cena, sabendo que responsabilidade alguma tinha com aquilo.

Mas ainda não se sabia quais eram as palavras pronunciadas, talvez nem se lembrasse mais, como seria o óbvio que acontecesse. Acontecer nem aconteceu nada, nem precisa discutir o que houve porque não houve. Talvez o que fosse o essencial da aproximação já tinha acontecido: o fato de chamarem os dois, simplesmente, de namorados – poucas palavras, mas que são carregadas para uma vida inteira.

Com certeza, mais uma lembrança inesquecível de uma gloriosa tarde de janeiro.

04/09/2006