sexta-feira, 9 de julho de 2010

Matemática


Veio à tona, numa tarde de segunda, aquela lembrança de 12 anos atrás. Tinha, justamente àquela época, 12 anos de idade, ou algo assim, porque nem sempre a memória de um velho funciona perfeitamente.


Já num acórdão lido essa semana, dizia o Desembargador que "ser velho é estado de espírito. Há muito garoto aí com espírito velho [...]". Talvez, tenha sido uma cutucada neste pseudo que vos fala.


Mas deixando de lado a velhice, que, nem precisava citar o magistrado, mas tão somente lembrar-vos das belas palavras daquela musiquinha do Chaves ("Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda..."), volto novamente àquela época, que agora já me esqueci qual.


Lembro-me daquela menina, e do nervosismo que pairava em mim instantes antes de encontrá-la (agora me lembrei ao certo, eram 11 anos atrás). Foi tudo tão rápido. Ah, adolescência rápida, ou ainda incessante.


Lembrava dos tempos em que ficava mais em casa. Afinal, estudar para aquelas provas de matemática, ciências e português não era fácil não. Adorava estudar. Cheguei a receber um puxão de orelha do professor de matemática no começo da 8ª série, dizendo que no ano anterior eu não havia estudado suficiente, que eu estava me nivelando por baixo. Lembro, inclusive, da expressão que aquele careca, apelidado de Mestre dos Magos pelos meus amigos, utilizou, de que eu estava descendo uma montanha russa.


O pavor de altura, simplesmente, não sei de onde veio. Me abala profundamente dizer essas coisas, de que nos estudos eu estava descendo uma montanha russa (adoro estudar e tenho medo de altura).


O resultado não poderia ser diferente: média 100,00 no ano em matemática. Parabéns para mim não, parabéns para o Mestre dos Magos, porque soube se utilizar das minhas fraquezas para que esse pseudo pudesse superá-las.


Era uma época boa, convenhamos, apesar dos tristes pesadelos que tinha com seu rosto. Sim, era muito irritante aquilo, angustiante. Talvez nem tenha saído muito de casa justamente por causa disso. E talvez, por isso, tenha aprendido a gostar de estudar, ler e escrever mais e mais. Respostas pedagógicas para uma tristeza que parece não ter fim, marcas que nunca sairão.


E lembro novamente daquela menina, de nome um pouco estranho. Lembro-me dela, mas tudo vem à lembrança junto com ela. Todas as vezes que chorava por algo, que se concentrava nos estudos daquelas "provinhas". Todas as vezes que ía à escola à pé e depois esperava pelo pai para te buscar. Tempos que não voltam, que foram, mas que poderiam ter sido melhor aproveitados.


Só que tudo tem seu preço: se aproveitasse melhor, talvez não gostaria tanto de estudar quanto gosta agora, e talvez não enxergaria as pessoas e seus defeitos do jeito que as enxerga agora. Tudo isso poderia mudar. Um tanto triste, mas poderia também não o ser.


E agora eu tento me concentrar e lembrar de uma coisa. Esta menina tinha uma irmã gêmea, só que agora não me lembro mais quem fazia o coração deste pseudo: ela ou a irmã dela? Enfim, só o nome dela já importa para lembrar daquele passado bem feito.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Personagens

Uma senhora com medo de voar de avião; uma aeromoça que não andava sem tirar o sorriso do rosto; um comandante de vôo de avião; um forte candidato a passar em concurso públicos do Poder Judiciário; um sujeito que apertava o botão do andar escolhido no elevador; um pivete da capital fluminense; um Sub-Defensor Público-Geral; um Defensor Público fiscal de concurso público; um cambista; um jogador de futebol diferenciado; um taxista desconfiante de seu time de futebol; um motorista de ônibus com cara de criança: todos personagens dessa vida corrida que levamos diariamente, mas que não somos capazes de parar e observá-los atentamente.

Aquele sábado foi, sim, de intensa correria. Parecia aquele comercial "bom natal, um feliz natal, e muita paz pra você..." e no finalzinho de tudo chega o garotinho e canta a última parte: "pra vo-cê...." E acaba tudo perfeitamente simples (como se existisse essa frase).

Já no começo havia a preocupação da senhora em controlar seu medo de avião. Sentou-se, então, perto do pseudo-idealista prestador de concurso. Mas, exitando-se, conteve-se, ao mesmo tempo em que falava consigo: "vou conseguir suportar... eu tenho que suportar". E voltou ao seu lugar, mantendo-se friamente calma durante todo aquele longo percurso.

O comandante manteve-se também extremamente frio e com ar de que estava falsamente feliz, igual a aeromoça. Era o trabalho deles, óbvio. Desejavam, assim, com sorriso largamente estampado no rosto, uma "boa tarde". "Ah, quem dera", pensava o protegido.

Aquele cara também que foi fazer a prova estava quase que desistindo. Por duas vezes, tentou voltar para Vitória, antes de ir ao local da prova. O pseudo insistiu, mesmo que - aparentava - indiretamente, em continuar a seguir o caminho antes traçado: ir ao local da prova, de qualquer forma, atrasado ou não.

O Sub-Defensor deixou os dois entrarem, pois o começo da prova havia também atrasado em 1h35min. Antes, um pivete já chegava na porta do taxi e pedia dinheiro, dizendo que estava com fome. Claro, pseudo que não é bobo nem nada, disse: "Fome?", e tirou uma (das três) barras de cereais que tinha na mochila. A outra ficou com ele (embora nem almoçado tinha) e outra com o outro candidato, que avisava estar morrendo de fome.

O outro candidato estava, sem sombra de dúvida, muito mais preparado para a prova. Ali na hora era mais questão de honra: fome, cansaço, dor na perna, sede... nada disso importava mais. Os dois continuaram firmes em seguir em frente para a sala de realização da prova, com a "benção" do Sub.

Eis que o fiscal e também Defensor impede o pseudo de realizar a prova. Antes de entregar o documento, o qual já estava na sua mão, indo ao encontro da mão do Defensor, soa aquele alarme. Um tanto parecido com aqueles alarmes de empresas grandes, com centenas de funcionários, anunciado a hora do almoço ou mesmo a hora da saída. Ensurdecedor. "Ah não, assim não posso te deixar fazer a prova, meu amigo. Se você se atrasou, isso não me interessa. Se houve atraso no vôo, também estou com coração partido, mas não posso permitir que você realize a prova. Quem deixou você entrar? Você nem poderia ter passado do portão. Chegou atrasado. Não dá pra te deixar fazer a prova. É a regra".

Ah, benditas regras... por um instante achava que tudo daria certo, talvez um milagre (se bem que não existem milagres. Isso mesmo, não existem milagres!), sorte, obra divina, sei lá (de fato, sabia sim). Foi quase... quase... mas tão perto. Já era uma questão de honra fazer a prova. Mas como estaria o outro candidato. Pensou até em avisar ao Defensor que havia mais outra pessoa na mesma situação, que tinham sido autorizados lá na entrada. Mas nada. Ele era nada de ouvidos. E aguardou...

Personagem importante, talvez o principal, foi aquele que se aproximou logo após decorridos 5 minutos da prova. Afinal, era o 12º andar. Para chamar ele, que estava lá embaixo, até subir, com certeza demoraria.

"Faz com calma a prova, se você precisar de mais tempo, terá", eram as palavras do Sub-Defensor Público Geral. Era uma questão de honra. A mão tremia. Fez. Emocionado, mas fez.

Dali em diante foi um sonho realizado, mas tentando se concretizar. Não queria depois saber do resultado. Já era o resultado esperado. Mostrou que é capaz. Não um vencedor, assim, por dizer. Mas é esforçado, pelo menos isso é.

Saiu, e encontrou o cara que comandava o elevador. "Daqui daqui daqui é é perto to do Maraca ca nã nã é é perto po pode ir andan dando vai sim sim" (tudo falado muito rápido, inclusive). "Tá bom", respondeu. E foi. Já chegando tarde, sabia, mas foi.

Comprou um dos ingressos mais caros da história do futebol. Cambista é foda mesmo. Mas se não fosse ele, nem entrar entraria no Maracanã. Chegou e já lá estava o placar: 1 a 0. Gol do Pet. Gringo é o bicho. Lembrou dos 43 minutos do segundo tempo contra o Vasco em 2001. E por que não renovariam o contrato dele? Me diga, por quê? Eternamente gratos serão os mais de 30 milhões de brasileiros por esse jogador. Espetacular.

O taxista, no final do jogo, manteve-se a calma e disse: "O empate, meu caro, não foi por sua culpa não. Pode deixar que não é você, como você está dizendo, que é o azarado. O time está ruim mesmo. Assim não dá. Mas pode ter certeza que não tem nada a ver com você... você não é pé frio" (o pseudo também tinha chegado a essa conclusão).

Um chopp na rodoviária celebrou o final daquele dia. Entrando no ônibus, avistou o motorista com cara de criança, e ainda por cima com óculos de grau! Ficou preocupado. Porém, não esperava que a viagem fosse tão segura e tranqüila como tinha sido aquela. Uma das melhores. Pobre preconceito.

E passava por aquela cidade mais horrorosa que pudera imaginar. Mais uma vez veio aquela confusão em sua mente, de 7 anos atrás, mais ou menos. Confusão um tanto que louca. Tanto tempo passado. Tanta correria daquele sábado talvez o tenha surtado um pouquinho, sim. Afinal, a saudade aperta tem horas. Não dá pra controlar, eu sei, pseudo.

Fica quieto então, e reze cada vez mais (porque Ele sempre estará do seu lado).

domingo, 30 de maio de 2010

Desistir?


Aquele início de manhã já revelava o que realmente seria aquele dia, 29 de maio. Foi novamente a eternidade daqueles instantes que duraram 5 minutos faticamente. Ali, foi menos. Uns 5 segundos no máximo. Mentira, uns 2 segundos. Mas, que, por sua vez, valeria por 2 décadas!


Veio essa voz conhecida, chamando-o de longe. Olhou para trás. Sua preocupação em enxergar pessoas e coisas de longe veio à tona novamente. Era um tanto que embaçado a visão. Pensou em consultar um oftamologista um dia desses. Afinal, quando moleque achava "chique" pessoas que usavam óculos de grau. Poderia até ficar bom nele.


Antes de olhar para trás, pensou naqueles 5 minutos. Eternos 5 minutos. Graças a Deus, naquela hora não durou muito. Já havia perdido aquele "medo", ou algo assim, que o fez sentir "surtado" durante bom tempo. Por isso, não ficou tormentado naquele instante.


"Pra onde você vai?". A resposta foi simples e rápida. Estavam na pista de vôo do aeroporto, não podiam ficar ali muito tempo. 10 segundos foram o bastante de conversa. "Que bom te ver". "Igualmente". Talvez até um fosse um sinal do que estaria ainda por vir naquele dia. Mas dali em diante tentou segurar a lágrima. Segurou, respirou, e seguiu em frente. Como se nada tivesse acontecido. Não estava surtado. Comprovadamente.


Voltando à realidade, aquele dia foi especial. Algo de obra divina, dizendo assim. Foi para mostrar que sonhos jamais poderão ser desistidos. Cada batalha e cada conquista deve ser muito comemorada, mas somente na sua hora. Cada conquista é um alavanque para outra. E o combustível que move tudo isso é a fé.


Uma lasquinha de esperança ainda sentia. "A probabilidade é de menos 5% para chegar lá no Rio em tempo", dizia um nobre cidadão no mesmo vôo que ele. E logo ele, que adorava probabilidades, estava em meio a uma que não poderia escapar de considerá-la como a mais triste realidade.


Parabéns, meu nobre cidadão. Você acertou. O pouso foi feito com mais de 3 horas de atraso. E uma lasquinha da lasquinha de esperança ainda era possível ter, mas já morria a cada minuto que passava.


13h30. Mais de 1h e meia de atraso. De repente, ouve-se do segurança do portão do local onde estava ocorrendo a prova: "Corram, e aproveitem para rezar, porque a prova ainda não começou". O portão então foi aberto. Foram os 100m rasos mais rápidos da história da humanidade. Correria total, a esperança brotava. Chegou na sala, antes de entregar a documentação sooava o sinal. Novamente, impedido de fazer a prova. 5 minutos depois, chega o coordenador geral, e desta vez entrada efetivamente autorizada.


Talvez tenha sido só mais uma prova. Mas, para ele, não era bem assim. Foi a "prova". Prova da fé, da esperança, da bondade, da persistência. Prova contra tudo e contra todos. Prova de que jamais deve desistir.


E no final, voltando para casa, já de madrugada, lembrava do começo daquele 29 de maio. Lembrou, inclusive, de uma cartinha de 19 de novembro de 2003, intitulada "Dificuldades". Certa passagem dizia: [...] "Seus desafios pessoais podem parecer extremamente injustos, e provavelmente sejam mesmo. Mas isso não os tornam menos reais, nem faz com que fique livre da obrigação de confrontá-los e vencê-los".

Disso ela tinha razão.

sábado, 24 de abril de 2010

Astronauta


10 anos de idade, mais ou menos, e o sonho persistente em ser astronauta. Na época, não sabia ainda que para isso deveria estudar 25 horas por dia, 8 dias por semana, milhares de cálculos, estudos de matemática primeiro, depois física, química, e mais física, cálculos, astronomia, engenharia, etc etc etc. Depois passou a saber disso, e a expectativa não era mais a mesma.


Mas eram lindos sonhos, realmente. Um foguete numa folha de papel desenhada, em traços feitos à lápis, bem clarinho primeiro, pra depois escurecer e dar tons mais fortes, como sombras e relances. Adorava desenhar também (já estava quase esquecendo de mencionar).


Desenho era mais do que um hobby, às vezes. Eram historinhas em quadrinhos, inclusive, que gostava de ilustrar. Tudo muito bem organizado, que uma vez ou outra as vendia por meros 10 centavos, 25 centavos. Começou a desenhar dinossauros, depois bonecos de guerra, estilo Cavaleiros do Zodíaco (que saudade...), robôs, jogadores de futebol e basquetebol...


Só que o sonho mesmo era ser astronauta. A lua era algo fascinante, como ainda o é. Planetas, estrelas, galáxias, extraterrestres, buraco negro, nebulosa, universo. Tudo espetacular, fascinante, longe de qualquer compreensão humana, distante dos pesadelos invencíveis, perto de sonhos tão bonitos.


O ser humano é assim mesmo: possuidor dos pesadelos mais horríveis possíveis, e detentor dos sonhos mais lindos que se possa imaginar. Um enigmático ser, que não há chave para se decifrar. Um astronauta à beira do colapso interplanetário. Um boom do milênio, explosões ininterruptas do sol, sombra das luas de Saturno. Sempre distante de seus objetivos, nunca concretizados a médio prazo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vidas - parte II

O que acontece no exato momento que uma pessoa resolve acabar com a própria vida? O que ocorre nos momentos logo anteriores a isso? Qual a explicação que se poderá dar para o suicídio? Qual explicação encontraremos para justificar a perda intencional de uma vida humana?


Sinceramente, já diriam aqueles velhos pseudo-idealistas, não existe explicação alguma. Não existe mesmo. "Eu estava grávida e não sabia de quem era o filho", ou "estava grávida e não era do meu marido", ou "não passei no vestibular e estava em profunda depressão", ou "enchi o talo de droga e resolvi acabar com tudo logo depois que descobri que minha esposa me traíu com meu melhor amigo", ou "minha empresa está nas últimas e vai à falência", ou "perdi o emprego e minha mulher não me ama mais", ou "perdi meu filho que amo tanto num triste acidente de carro", ou "minha esposa foi estuprada e assassinada, na minha casa, enquanto os bandidos me faziam olhar para a cena, eu amarrado e sem poder fazer nada, e eles ainda estuprando minha filha menor de idade, logo após acabar com a vida de minha esposa, e até hoje os bandidos estão impunes"... Nada disso justifica a perda da própria vida.


A revolta, por óbvio, é justificável em certos casos (ainda mais nesse último que foi citado). Profunda revolta não combina em nada com desfazimento desse mundo de esperança, expectativa e sonhos que nos possibilita o desenrolar das relações humanas e do mundo em nosso redor. A vida é o bem maior, a vida em primeiro lugar, antes de tudo e de todos. Tudo pode ser contornado. O "jogo da vida" jamais tem seu fim, enquanto se pode viver com esperança e sonhos - sendo que a frase já se apresenta como um pleonasmo, pois viver já significa ter esperança e sonhos.


"Viver", isso que uma pessoa precisa. Chorar, sofrer, rir, conversar com amigos, dar gargalhadas, ouvir música triste, rock´n roll, rir mais ainda, chorar muito mais, sentir pressão no trabalho, curtir as festas, estudar feito um louco para a prova justamente na véspera, sofrer feito um maluco pelo seu time de futebol de coração, conversar com seu colega de sala de épocas passadas pelo telefone, trocar telefone com aquela linda moça que você acaba de conhecer, ler, escrever, rir e chorar mais ainda. Isso tudo é viver. É ter vontade de levantar cedo em plena terça-feira, abrir a janela, respirar profundo, rezar por um dia maravilhoso e sair em busca do mundo.


Sempre existirá uma dor profunda. Disso não há a menor dúvida. Mas só de pensar que uma alegria incontrolável virá após essa dor, passa a ser então a válvula de escape para todo o desenrolar do "jogo da vida".


A vida em primeiro lugar, única e absoluta. O riso fácil no rosto, depois de uma tremenda cicatriz, depois de uma perda, por mais injusta que seja, é a prova real da veracidade da vida. Converta-se à ela, somente a ela, e daí peça para ser iluminado para que nunca, em hipótese alguma, a fraqueza o convença do pior, onde a única solução para improváveis perguntas seja uma partida que não possa mais voltar atrás. (E não se esqueça da alegria de viver)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Luto

"Segundo levantamento do IPEA, 35 mil pessoas morrem por ano no trânsito brasileiro, sem falar nas milhares de vítimas que ficam com seqüelas graves permanentes. Não é por acaso que o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países que possuem o maior número de acidentes no trânsito, de acordo com dados da OMS - Organização Mundial de Saúde". (http://www.motonline.com.br/default.asp?cod=14321&categoria=6)

"Pelo segundo ano consecutivo, os acidentes de trânsito ultrapassam os homicídios e se tornam a principal causa de morte não natural da população paulista. De acordo com a pesquisa, apresentada pela fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) nesta quarta-feira, a taxa de mortes no trânsito em 2008 foi de 18 para cada 100 mil habitantes do Estado, mesma quantidade de 2007. Já os homicídios, líder de mortes nas duas últimas décadas, caíram para 14,27 mortes para cada 100 mil habitantes. Nos últimos 20 anos, cerca de 150 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito em São Paulo. O número equivale à quantidade de moradores de São Caetano do Sul, no ABC paulista. Em 1997, a pesquisa registrou o maior índice de mortes por acidentes de trânsito: 25,7 a cada 100 mil habitantes. Entre 1996 e 2008, a taxa de mortalidade por atropelamentos caiu pela metade (de 10,1 para 5,1 óbitos por 100 mil habitantes). Apesar disso, o indicador de mortalidade por acidentes com motocicleta aumentou de forma significativa ao passar de 0,2 para 3,4 óbitos por 100 mil habitantes, no mesmo período". (http://www.band.com.br/transito-sp/conteudo.asp?ID=275033)

"Três pessoas de uma mesma família morreram, na manhã de ontem, em um acidente de trânsito na RS-446, em Carlos Barbosa, por volta das 8h30min. O motorista Salmir Mariana Leandro, 37 anos, que conduzia o Uno, era de Criciúma e morreu na hora juntamente com a esposa Leila Bortolini Danieleski, 28, e a filha Maria Eduarda Leandro, com dois meses de idade. A criança chegou a ser socorrida, mas faleceu a caminho do hospital do município. De acordo com os patrulheiros, o motorista do veículo seguia sentido Carlos Barbosa-São Vendelino quando perdeu o controle e se chocou contra um paredão de pedra no Km 8 da rodovia. Salmir era natural de Criciúma, mas morava em Estância Velha há cerca de oito meses. Os irmãos Eduardo Danieleski, cinco anos, e Kauana Danieleski, 9, estão internados em estado estável no Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves. As crianças são filhos de um relacionamento anterior de Leila". (http://www.atribunanet.com/home/site/ver/?id=112559)

"Márcia Fernandes Henn completaria nesta quinta-feira, dia 11 de março, 25 anos se não tivesse sido mais uma vítima de acidente na Capital, a cidade com o trânsito mais violento. Ela morreu há exatos um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa), onde ficou internada desde o dia 3 de fevereiro quando o veículo Gol conduzido por Rui Daniel Nogueira do Amaral, 34 anos, atingiu seu carro, um Eco Sport.
Hoje, amigos, acadêmicos de Medicina fizeram um ato pela paz no trânsito. Ao menos cem jovens protestaram no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Bahia, no Centro de Campo Grande.
A tragédia aconteceu no cruzamento da Rua Padre João Crippa com Amazonas, no Jardim dos Estados, bairro nobre. Era madrugada de uma quarta-feira e a jovem havia saído da casa de amigos, com quem estudava.
Naquele instante acabou o sonho da acadêmica de Medicina. Ela estudava para exercer a Pediatria. Márcia, segundo amigos, era dedicada e muito alegre. “Ela era muito divertida, estudiosa. Uma pessoa maravilhosa”, conta Tatiane de Menezes que estudava com Márcia no 5º ano do curso de medicina na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)". (http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=709771)

"Um choque frontal entre um Ford Fiesta e um carreta, por volta de 19h desta segunda-feira, perto de Irapuru (178 km de Marília), na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), matou três pessoas da mesma família de Marília.
O agente penitenciário do Centro de Ressocialização, Benedito Modesto, 37 anos, sua mulher, Andréa Cristiane Gonçalves Modesto, 32 anis, e o filho do casal, Matheus Gonçalves Modesto, 8 anos, foram as vítimas.
A Polícia Rodoviária Estadual ainda apura as causas do acidente que matou a família mariliense". (http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/14399/Familia+de+Marilia+morre+em+acidente+de+transito)

"A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp) divulgou, na manhã desta quinta-feira (18), o resultado da Operação Carnaval em todo o Estado. Foram 31 assassinatos durante os cinco dias de folia. O Governo aponta que o número é 16% inferior aos 37 homicídios registrados no ano passado. Entretanto, reportagem publicada naquela época pelo gazetaonline demonstra que não houve diminuição na violência". (http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/02/603288-31+mortos+no+carnaval+do+espirito+santo+este+ano.html)

Que Deus nos proteja, amém.

quarta-feira, 10 de março de 2010

À espera de alguém (ou alguma coisa)


Quase 17h de uma quarta-feira. Era ainda aquele mês que as pessoas insistem em começar o ano nele, apesar dos dois meses anteriores já passados. Ele ainda sonhava quando ao mesmo tempo despertava de um pesadelo profundo - ou que, na verdade, era somente um despertar provisório.


Ué, mas logo uma quarta-feira? Sim, para ele nada fazia sentido essas coisas de escolher um dia da semana para ser "o dia" da semana. Final de semana e terça-feira ou quarta-feira para ele era praticamente a mesma coisa, tirando o trabalho. De fato, trabalhando era até melhor do que ficar ali, deitado no sofá, no calor, colando as costas no banco de trás do sofá de suor, assistindo Caldeirão do Huck, tentando cochilar - mas a angústia ainda o deixava acordado às tardes de possível "descanso". E olha lá que nem era aquela profissão que ele queria. Mas, fazer o quê, quando a vida te prega peças e você tenta não as compreendê-las.


A compreensão de mundo agora passou a ser diferente, desde o triste domingo de carnaval. Uma festa que lembra tanto alegria, agora por certo para ele vai só lembrar sofrimento. Será uma época do ano que ele irá refletir, e muito, sobre tudo, sobre todos.


O bloco do eu sozinho finalmente entra em cena, para tentar livrar o mal de tudo. Esse mal que assombra os pobres mortais, longe da lucidez quando pegam o capacete, a garrafa de cachaça e a estrada. É pa-pum, tchau pra mim, até logo pra você, adeus família que tanto me amava! A perda da vida sem sentido algum, sem explicação.


Talvez o álcool virá um dia sim me pegar e me levar para longe daqui. Mesmo indiretamente, como queria dona morte no domingão do carnaval. Ah, meu bem, como ele ficou estranho quando te viu dentro do carro, dona morte. E ali novamente era a bendita hora desta quarta-feira: 17h. Ali você se fez presente - ou tentou, pelo menos. Mas ele lembra muito bem, com todas as palavras que mentalizou em sua cabeça: "você não vai me pegar, não".


Que aflição, frio na espinha, bate nessa hora. Era ali, questão de vida ou morte. Um corpo no chão, na estrada, longe do carro. E o álcool o levou embora. Não o carro ou a moto, o álcool. Uma vida interrompida. O que nós temos de mais valioso no mundo, uma coisa que nada pode trazê-la de volta. Nada.


E volta a quarta-feira. Um sentimento de esperança e perda. Uma questão de honra. Os fracos não desistem facilmente, e por que ele deveria sucumbir neste momento? Daremos trabalho aos fortes, porque eles merecem.


Uma nova compreensão do mundo lhe salta aos olhos: a vida em primeiro lugar, maior que tudo e que todos. Todo dia é quarta-feira, todo dia é domingo de carnaval e todo dia é dia 13 de julho de 2006. (conflito mental)