sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Miguel e a Prostituta


Os olhos nem conseguiam fixar mais direito a tela do computador. Afinal, uma sexta-feira, ainda com 23 anos e uns 10 meses incompletos de idade, mas depois de uma semana trabalhando em frente ao cpu, não dá. Cansa.


O pior de tudo é que ainda continua a usá-lo para fazer o que mais gosta: escrever.


Novamente volta aquele sentimento que já analisava o profeta que morreu da pior doença até então existente. Mas, novamente também, tentou se esquecer e concentrar.


Eram difíceis tempos. Esses anos "pares" parecem ser assim mesmo: 2004, 2006, 2008... agora 2010. Talvez aquele cara da Tv estivesse com razão (mesmo ao falar tanta bobagem) a respeito de "números" - astrologia - destino das pessoas. Se um tanto ele acredita, ainda é muito, porém já não vale mais a pena acreditar.


A tendência é seguir lendo as escrituras sagradas durante as viagens de ônibus. Se Miguel pudesse nos ajudar sempre nas batalhas diárias... Rezaria todo dia por isso. O dia-a-dia cada vez mais tenso que cada um dessa gente passa, meu Deus! (Se bem que Ele não está mais "tão aí"para todos, uma vez dado o livre-arbítrio para cada um)


Uma questão um tanto que polêmica, já diria pseudo (que, aliás, nem gosta de entrar nessas questões). O começo pelo final é sempre o maior triunfo (até então...), diria também pseudo. O começo pelo fim fez ele acreditar em mais um monte de coisa para começar novamente a acreditar em desacreditar de tudo de novo! E isso era a grande jogada em voltar à tela do computador e escrever esses breves ditongos e hiatos.


Sucumbo-me.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Há 10 anos...

Nem gostava de ler muito naqueles perfis de páginas pessoais aquelas tantas frases de efeito que os nefastos internautas colocavam.


(Obs. preliminar: O pseudo sabe também que é um zero na perfeição da leitura e da escrita, sobretudo a escrita)

Mas um dia leu um negócio (como sinônimo de coisa, algo, objeto, ser, ou seja, qualquer coisa que você imaginar lá estará a palavra negócio para te satisfazer) que estava justamente nessas páginas, tendo acessado por meio do perfil da sua cachorrinha. Sim, porque nem gostava mais desses negócios (veja! novamente a palavra!). Havia terminado tudo no dia do seu aniversário. Era um verdadeiro presente para ele. Acabar com aquilo. Ou pelo menos parar de vê-la. Até parou... por um tempo. Voltou. Mas voltar a parar. E seguiu.

Voltou, e leu aquele negócio, já numa outra página. Dizia algo em torno de como eram as coisas (agora, coisa como sinônimo de negócio, que daí o leitor já sabe o que é) há uns 10 anos. Mais ou menos assim:

[...] "As crianças íam a parques de diversão e não tinham problemas de visão nem obesidade dados pelos videogames e computadores. McDonald´s custava R$4,00, e Kinder Ovo, R$ 1,00. Os casamentos duravam mais, ou pelo menos duravam alguma coisa. Biscoitos Fofy e Mirabel existiam. Leite não era diluido com água oxigenada. A piada do Grapete era engraçada. Para ser presidente eram necessários 10 dedos e um mínimo de alfabetização. Meninas de 11 anos brincavam de boneca, e não saíam para exentric "pegar geral". Plutão era um planeta. Festas de 15 anos não eram eventos. A intenção num show era ver o show, e não brigar. Pessoas realmente se conheciam e não apenas pela internet. As amizades eram valorizadas. Fotos eram tiradas para recordar um momento, e não para servir de book no orkut. Diesel era combustível. Merthiolate ardia. A gente assistia desenho japonês no sábado de manhã, e brincava de bola de gude e pique bandeira à tarde, e de noite a gente bebia nescau e assistia família dinossauro, criança era criança, não ficava o dia todo na internet perdendo a sua essência.. Há uns 10 anos atrás... [...]"

Interessante observação, porque é isso mesmo. Fora os erros de português, que foram (pelo menos alguns que o pseudo sabia) consertados, o texto é simples e completo, tão real que machuca.

As "crianças" estão perdendo sim sua essência. O pseudo lembra que até os 15 anos nem gostava muito de sair. Ficava em casa, tentando assustar, jogava futebol às sextas à noite na pracinha do Boa Praça. Tinha o patins, moda que chegou em 1994 mais ou menos. Adorava andar também de bicicleta. Mas, hoje? Como estão as coisas hoje, entre as "crianças"?

Umas, de 13 anos, já vão naquelas micaretas, onde os bombadões saem agarrando à força a mulherada, essas entupidas de vodka com energético, comprado pelos próprios playboys que logo depois tentam - e conseguem - arrancar-lhes um beijo na boca, passar a mão na bunda e vazar fora para partir rumo a outra gatinha.

Outras, não sabem o que é patins, bola de gude, pique bandeira... O grande objeto de brincadeira é o computador. Tanto o é que naquelas brincadeiras onde quem ganha escolhe um presente/brinquedo, de pronto as "crianças" respondem: "Quero computador" (isso quando não falam: "quero 1 mil reais").

A essência da vida vai se perdendo, acabando... E o mais interessante de tudo, voltando novamente ao texto por inteiro coletado na página pessoal de uma pessoa na internet, é que logo no início de mesmo texto saudosista dizia assim: "Há uns 10 anos o "te amo" não era banalizado".

VERDADE! Ó, sentimento banal! Frase idiota! Idiotice pura sentir isso! Fuja desse sentimento! Corra! Pra bem longe!! (...mas pra perto dela)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cidade


"Hipócritas!", gritava ele, "bando de hipócritas". Já diziam que comungar faria bem à alma, às vezes para eles. Porque ainda se entupiam de atitudes nefastas, nem se importando com aquilo ao seu redor, contrariando suas próprias vidas.


Uma cidade - no seu sentido de "centro", como já dizia uma senhora tempos atrás àquele menino de pobre e fértil mente - a mais podre possível, mas nem tanto assim, convenhamos, ao analisar todas as outras arranha-céus´ cities.


Um correndo pra lá, outra acolá, outro naquela direção, e mais outro, e mais um, mais uma... aff! E eram justamente aqueles hipócritas que ali trabalhavam. Bando de mercenários, uns idiotas, de fraca alma, esta já condenada até...


Cidade que não sabia o que era, e logo lá iria passar a ir todos os dias. Longos dias. Um tanto perturbadores; outros calmos, iguais soníferos. Mas ainda não se esqueceu deles, aqueles caras. Uma salva de palmas para os hipócritas: porque eu também faço parte. E você também, meu querido.

sábado, 17 de julho de 2010

(Des)esperança


E nem sempre é do jeito que você quer. A gente sonha, e sonha, e sonha. Mas às vezes não dá. Pode pedir ajuda a Deus e tudo o mais. Mas às vezes não dá. O avião atrasa, a prova tá marcada pra um horário, te atrasam e tudo o mais, você chega, faz a avaliação, mas às vezes não dá.


Você sonha com ela. Todo dia, praticamente. Mas às vezes não dá. Um tempo todo de distância. Entre os dois um tempo todo de distância, espaço e tempo juntos. Não dá. Não deu. Nunca dará certo.


Uma certa desesperança paira no ar, enquanto aquele "my manta ray is all right" toca no ouvido, entupindo o cérebro de dor de cabeça, agravada mais ainda pelo futebol jogado há pouco tempo, um golzinho e tá bom pro pseudo.


Uma certa desesperança ainda continua pairando no ar. Pensa em sair, não sabe. Pensa em ligar pra alguém, mas também ainda não sabe. Liga pro Dr. Ele responde que havia comprado um quilo de picanha. Talvez isso até animasse... mas não dá pra animar.


Era o dia dele mesmo. 17 de julho. Quem dera se fosse igual 2006. Um dia raro, afinal. Um dia entre poucos. Igual aqueles antes da prova de IED. Acordava 4 horas da manhã pra estudar. Nada em vão. Talvez teria que fazer isso tudo de novo? No sacrifício?


Claro, nada é de mão beijada, assim dando logo pra você: "ó, toma que é seu". Nada. Sinceramente, às vezes não dá. Às vezes não dá mesmo. E normalmente são essa vezes. Quando não, o mundo se enche de alegria para o pseudo. Um mundo contornado de desesperança, mas que tende, mais dia ou menos dia, virar toda a situação. Esperança, essa é a palavra.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Matemática


Veio à tona, numa tarde de segunda, aquela lembrança de 12 anos atrás. Tinha, justamente àquela época, 12 anos de idade, ou algo assim, porque nem sempre a memória de um velho funciona perfeitamente.


Já num acórdão lido essa semana, dizia o Desembargador que "ser velho é estado de espírito. Há muito garoto aí com espírito velho [...]". Talvez, tenha sido uma cutucada neste pseudo que vos fala.


Mas deixando de lado a velhice, que, nem precisava citar o magistrado, mas tão somente lembrar-vos das belas palavras daquela musiquinha do Chaves ("Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda..."), volto novamente àquela época, que agora já me esqueci qual.


Lembro-me daquela menina, e do nervosismo que pairava em mim instantes antes de encontrá-la (agora me lembrei ao certo, eram 11 anos atrás). Foi tudo tão rápido. Ah, adolescência rápida, ou ainda incessante.


Lembrava dos tempos em que ficava mais em casa. Afinal, estudar para aquelas provas de matemática, ciências e português não era fácil não. Adorava estudar. Cheguei a receber um puxão de orelha do professor de matemática no começo da 8ª série, dizendo que no ano anterior eu não havia estudado suficiente, que eu estava me nivelando por baixo. Lembro, inclusive, da expressão que aquele careca, apelidado de Mestre dos Magos pelos meus amigos, utilizou, de que eu estava descendo uma montanha russa.


O pavor de altura, simplesmente, não sei de onde veio. Me abala profundamente dizer essas coisas, de que nos estudos eu estava descendo uma montanha russa (adoro estudar e tenho medo de altura).


O resultado não poderia ser diferente: média 100,00 no ano em matemática. Parabéns para mim não, parabéns para o Mestre dos Magos, porque soube se utilizar das minhas fraquezas para que esse pseudo pudesse superá-las.


Era uma época boa, convenhamos, apesar dos tristes pesadelos que tinha com seu rosto. Sim, era muito irritante aquilo, angustiante. Talvez nem tenha saído muito de casa justamente por causa disso. E talvez, por isso, tenha aprendido a gostar de estudar, ler e escrever mais e mais. Respostas pedagógicas para uma tristeza que parece não ter fim, marcas que nunca sairão.


E lembro novamente daquela menina, de nome um pouco estranho. Lembro-me dela, mas tudo vem à lembrança junto com ela. Todas as vezes que chorava por algo, que se concentrava nos estudos daquelas "provinhas". Todas as vezes que ía à escola à pé e depois esperava pelo pai para te buscar. Tempos que não voltam, que foram, mas que poderiam ter sido melhor aproveitados.


Só que tudo tem seu preço: se aproveitasse melhor, talvez não gostaria tanto de estudar quanto gosta agora, e talvez não enxergaria as pessoas e seus defeitos do jeito que as enxerga agora. Tudo isso poderia mudar. Um tanto triste, mas poderia também não o ser.


E agora eu tento me concentrar e lembrar de uma coisa. Esta menina tinha uma irmã gêmea, só que agora não me lembro mais quem fazia o coração deste pseudo: ela ou a irmã dela? Enfim, só o nome dela já importa para lembrar daquele passado bem feito.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Personagens

Uma senhora com medo de voar de avião; uma aeromoça que não andava sem tirar o sorriso do rosto; um comandante de vôo de avião; um forte candidato a passar em concurso públicos do Poder Judiciário; um sujeito que apertava o botão do andar escolhido no elevador; um pivete da capital fluminense; um Sub-Defensor Público-Geral; um Defensor Público fiscal de concurso público; um cambista; um jogador de futebol diferenciado; um taxista desconfiante de seu time de futebol; um motorista de ônibus com cara de criança: todos personagens dessa vida corrida que levamos diariamente, mas que não somos capazes de parar e observá-los atentamente.

Aquele sábado foi, sim, de intensa correria. Parecia aquele comercial "bom natal, um feliz natal, e muita paz pra você..." e no finalzinho de tudo chega o garotinho e canta a última parte: "pra vo-cê...." E acaba tudo perfeitamente simples (como se existisse essa frase).

Já no começo havia a preocupação da senhora em controlar seu medo de avião. Sentou-se, então, perto do pseudo-idealista prestador de concurso. Mas, exitando-se, conteve-se, ao mesmo tempo em que falava consigo: "vou conseguir suportar... eu tenho que suportar". E voltou ao seu lugar, mantendo-se friamente calma durante todo aquele longo percurso.

O comandante manteve-se também extremamente frio e com ar de que estava falsamente feliz, igual a aeromoça. Era o trabalho deles, óbvio. Desejavam, assim, com sorriso largamente estampado no rosto, uma "boa tarde". "Ah, quem dera", pensava o protegido.

Aquele cara também que foi fazer a prova estava quase que desistindo. Por duas vezes, tentou voltar para Vitória, antes de ir ao local da prova. O pseudo insistiu, mesmo que - aparentava - indiretamente, em continuar a seguir o caminho antes traçado: ir ao local da prova, de qualquer forma, atrasado ou não.

O Sub-Defensor deixou os dois entrarem, pois o começo da prova havia também atrasado em 1h35min. Antes, um pivete já chegava na porta do taxi e pedia dinheiro, dizendo que estava com fome. Claro, pseudo que não é bobo nem nada, disse: "Fome?", e tirou uma (das três) barras de cereais que tinha na mochila. A outra ficou com ele (embora nem almoçado tinha) e outra com o outro candidato, que avisava estar morrendo de fome.

O outro candidato estava, sem sombra de dúvida, muito mais preparado para a prova. Ali na hora era mais questão de honra: fome, cansaço, dor na perna, sede... nada disso importava mais. Os dois continuaram firmes em seguir em frente para a sala de realização da prova, com a "benção" do Sub.

Eis que o fiscal e também Defensor impede o pseudo de realizar a prova. Antes de entregar o documento, o qual já estava na sua mão, indo ao encontro da mão do Defensor, soa aquele alarme. Um tanto parecido com aqueles alarmes de empresas grandes, com centenas de funcionários, anunciado a hora do almoço ou mesmo a hora da saída. Ensurdecedor. "Ah não, assim não posso te deixar fazer a prova, meu amigo. Se você se atrasou, isso não me interessa. Se houve atraso no vôo, também estou com coração partido, mas não posso permitir que você realize a prova. Quem deixou você entrar? Você nem poderia ter passado do portão. Chegou atrasado. Não dá pra te deixar fazer a prova. É a regra".

Ah, benditas regras... por um instante achava que tudo daria certo, talvez um milagre (se bem que não existem milagres. Isso mesmo, não existem milagres!), sorte, obra divina, sei lá (de fato, sabia sim). Foi quase... quase... mas tão perto. Já era uma questão de honra fazer a prova. Mas como estaria o outro candidato. Pensou até em avisar ao Defensor que havia mais outra pessoa na mesma situação, que tinham sido autorizados lá na entrada. Mas nada. Ele era nada de ouvidos. E aguardou...

Personagem importante, talvez o principal, foi aquele que se aproximou logo após decorridos 5 minutos da prova. Afinal, era o 12º andar. Para chamar ele, que estava lá embaixo, até subir, com certeza demoraria.

"Faz com calma a prova, se você precisar de mais tempo, terá", eram as palavras do Sub-Defensor Público Geral. Era uma questão de honra. A mão tremia. Fez. Emocionado, mas fez.

Dali em diante foi um sonho realizado, mas tentando se concretizar. Não queria depois saber do resultado. Já era o resultado esperado. Mostrou que é capaz. Não um vencedor, assim, por dizer. Mas é esforçado, pelo menos isso é.

Saiu, e encontrou o cara que comandava o elevador. "Daqui daqui daqui é é perto to do Maraca ca nã nã é é perto po pode ir andan dando vai sim sim" (tudo falado muito rápido, inclusive). "Tá bom", respondeu. E foi. Já chegando tarde, sabia, mas foi.

Comprou um dos ingressos mais caros da história do futebol. Cambista é foda mesmo. Mas se não fosse ele, nem entrar entraria no Maracanã. Chegou e já lá estava o placar: 1 a 0. Gol do Pet. Gringo é o bicho. Lembrou dos 43 minutos do segundo tempo contra o Vasco em 2001. E por que não renovariam o contrato dele? Me diga, por quê? Eternamente gratos serão os mais de 30 milhões de brasileiros por esse jogador. Espetacular.

O taxista, no final do jogo, manteve-se a calma e disse: "O empate, meu caro, não foi por sua culpa não. Pode deixar que não é você, como você está dizendo, que é o azarado. O time está ruim mesmo. Assim não dá. Mas pode ter certeza que não tem nada a ver com você... você não é pé frio" (o pseudo também tinha chegado a essa conclusão).

Um chopp na rodoviária celebrou o final daquele dia. Entrando no ônibus, avistou o motorista com cara de criança, e ainda por cima com óculos de grau! Ficou preocupado. Porém, não esperava que a viagem fosse tão segura e tranqüila como tinha sido aquela. Uma das melhores. Pobre preconceito.

E passava por aquela cidade mais horrorosa que pudera imaginar. Mais uma vez veio aquela confusão em sua mente, de 7 anos atrás, mais ou menos. Confusão um tanto que louca. Tanto tempo passado. Tanta correria daquele sábado talvez o tenha surtado um pouquinho, sim. Afinal, a saudade aperta tem horas. Não dá pra controlar, eu sei, pseudo.

Fica quieto então, e reze cada vez mais (porque Ele sempre estará do seu lado).

domingo, 30 de maio de 2010

Desistir?


Aquele início de manhã já revelava o que realmente seria aquele dia, 29 de maio. Foi novamente a eternidade daqueles instantes que duraram 5 minutos faticamente. Ali, foi menos. Uns 5 segundos no máximo. Mentira, uns 2 segundos. Mas, que, por sua vez, valeria por 2 décadas!


Veio essa voz conhecida, chamando-o de longe. Olhou para trás. Sua preocupação em enxergar pessoas e coisas de longe veio à tona novamente. Era um tanto que embaçado a visão. Pensou em consultar um oftamologista um dia desses. Afinal, quando moleque achava "chique" pessoas que usavam óculos de grau. Poderia até ficar bom nele.


Antes de olhar para trás, pensou naqueles 5 minutos. Eternos 5 minutos. Graças a Deus, naquela hora não durou muito. Já havia perdido aquele "medo", ou algo assim, que o fez sentir "surtado" durante bom tempo. Por isso, não ficou tormentado naquele instante.


"Pra onde você vai?". A resposta foi simples e rápida. Estavam na pista de vôo do aeroporto, não podiam ficar ali muito tempo. 10 segundos foram o bastante de conversa. "Que bom te ver". "Igualmente". Talvez até um fosse um sinal do que estaria ainda por vir naquele dia. Mas dali em diante tentou segurar a lágrima. Segurou, respirou, e seguiu em frente. Como se nada tivesse acontecido. Não estava surtado. Comprovadamente.


Voltando à realidade, aquele dia foi especial. Algo de obra divina, dizendo assim. Foi para mostrar que sonhos jamais poderão ser desistidos. Cada batalha e cada conquista deve ser muito comemorada, mas somente na sua hora. Cada conquista é um alavanque para outra. E o combustível que move tudo isso é a fé.


Uma lasquinha de esperança ainda sentia. "A probabilidade é de menos 5% para chegar lá no Rio em tempo", dizia um nobre cidadão no mesmo vôo que ele. E logo ele, que adorava probabilidades, estava em meio a uma que não poderia escapar de considerá-la como a mais triste realidade.


Parabéns, meu nobre cidadão. Você acertou. O pouso foi feito com mais de 3 horas de atraso. E uma lasquinha da lasquinha de esperança ainda era possível ter, mas já morria a cada minuto que passava.


13h30. Mais de 1h e meia de atraso. De repente, ouve-se do segurança do portão do local onde estava ocorrendo a prova: "Corram, e aproveitem para rezar, porque a prova ainda não começou". O portão então foi aberto. Foram os 100m rasos mais rápidos da história da humanidade. Correria total, a esperança brotava. Chegou na sala, antes de entregar a documentação sooava o sinal. Novamente, impedido de fazer a prova. 5 minutos depois, chega o coordenador geral, e desta vez entrada efetivamente autorizada.


Talvez tenha sido só mais uma prova. Mas, para ele, não era bem assim. Foi a "prova". Prova da fé, da esperança, da bondade, da persistência. Prova contra tudo e contra todos. Prova de que jamais deve desistir.


E no final, voltando para casa, já de madrugada, lembrava do começo daquele 29 de maio. Lembrou, inclusive, de uma cartinha de 19 de novembro de 2003, intitulada "Dificuldades". Certa passagem dizia: [...] "Seus desafios pessoais podem parecer extremamente injustos, e provavelmente sejam mesmo. Mas isso não os tornam menos reais, nem faz com que fique livre da obrigação de confrontá-los e vencê-los".

Disso ela tinha razão.